quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

É POSSÍVEL PREVENIR OU SÓ RESTA REMEDIAR? Precocidade e prevenção na intervenção com bebês - Julieta Jerusalinsky



Os primeiros anos de vida se caracterizam por ser uma etapa de constituição. Um bebê está em pleno processo de maturação das estruturas anátomo-fisiológicas; de crescimento corporal; de aquisições instrumentais fundamentais quanto a linguagem, psicomotricidade e aprendizagem; está também no tempo em que se operam as primeiras inscrições psíquicas.
Maturação, crescimento, aquisições instrumentais e constituição do sujeito psíquico, se bem que digam respeito ao tempo da infância como um todo, em nenhum outro momento da vida passam por modifi cações tão radicais quanto nos três primeiros anos de vida. Daí a importância de se realizar uma intervenção de saúde preventiva com a primeira infância.






Extraído do livro "Enquanto Futuro não vem". Material disponível para download no site Àgalma

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Os "nãos" do pai - Marie-Christine Laznik


A respeito da função paterna vamos tentar interrogar mais precisamente a questão da metáfora paterna e do papel do pai real, como nos mostra a céu aberto uma situação excepcional: a do tratamento de uma criança autista muito pequena. Se eu digo “a céu aberto”, é porque me parece que nos casos “normais”, nós só podemos reconstruir a questão da metáfora paterna no só-depois, porque quando nós chegamos ao drama, se se pode dizer assim, esta metáfora já está lá. Supomos que ela pôde instaurar-se, mas essa instauração é talvez mítica. E o que constatamos, são sobretudo as vicissitudes da resolução do Édipo, a questão da castração e a identificação ao pai.





Extraído de "O SUJEITO, O REAL DO CORPO E O CASAL PARENTAL", material disponível para download no site Àgalma.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Documentário "Os Arrependidos" (2010) - Marcus Lindeen



Regretters 2010 Marcus Lindeen 


Esse filme retrata a história de dois homens suecos, Mikael e Orlando, que passaram pela cirurgia de redesignação sexual. No documentário eles, com aproximadamente 60 anos, se encontram para falar sobre suas vidas e sobre o arrependimento que ambos compartilham de terem passado por tal cirurgia. Mikael passou pela cirurgia em meados dos anos 90, com 50 anos, enquanto Orlando foi um dos primeiros pacientes de "mudança de sexo" na Suécia em 1967. Orlando se veste como homem novamente, usando blusas largas para esconder os seios e deseja que seu médico refaça a cirurgia. Já Orlando mantém uma aparência bastante andrógina, usa uma roupa de veludo vermelho e um único brinco de diamante. Mikael se arrepende da cirurgiam mas diz que vive entre os dois gêneros, às vezes gosta de ser mulher, às vezes gosta de ser homem, mas nem sempre foi dessa forma. Ele conta sua história e seu casamento de 11 anos com um homem que achava que ele era uma mulher cis, até o dia em que tudo foi revelado. "Regretters" venceu o prêmio Prix Europa de melhor documentário em Berlim em 2010, recebeu o Oscar sueco (Guldbagge) de melhor documentário sueco de 2011 e, além de ter sido apresentado em inúmeros festivais internacionais de cinema, também foi exibido no Museu de Arte Moderna de Nova York e no Centro Nacional de Arte Contemporânea em Moscou.

*ative as legendas


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Dicionário comentado do alemão de Freud - Luiz Hanns



O Dicionário Comentado do Alemão de Freud apresenta alguns dos mais importantes termos psicanalíticos alemães, todos de difícil tradução. Entre os quarenta verbetes do dicionário, encontram-se clássicos da psicanálise, tais como pulsão (Trieb), recalque (Verdrängung) e representação (Vorstellung), discutidos detalhadamente, em seções que podem ser consultadas conforme o grau de profundidade desejado. 
São apresentados os significados extraídos de dicionários antigos e atuais, e discutidas as conotações do termo no universo lingüístico germânico. Também é explicada sua etimologia e as partes que compõem a palavra. Através de uma tabela contrastiva, os sentidos e conotações do termo original podem ser comparados com os da palavra habitualmente adotada para traduzi-lo em português. São apresentados exemplos de frases e parágrafos, retirados de diversos períodos da obra de Freud, e é comentada a inserção do verbete no texto freudiano alemão. 
Um glossário multilíngüe permite consultar o dicionário a partir do português, alemão, espanhol, francês ou inglês.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O cálculo neurótico do gozo - Christian Dunker


Qual o lugar conferido pela clínica psicanalítica, inspirada em Lacan, ao que é da ordem da intensidade, do afeto e do valor quantitativo? Este livro é uma pesquisa em torno desta indagação. Afastando-se daquilo que certamente funciona bem no propalado 'retorno a Freud' o objetivo do texto é pôr à prova temas psicanalíticos 'esquecidos' pela tradição lacaniana. Em Freud o 'ponto de vista econômico' ocupa um lugar central, tanto na metapsicologia quanto na psicopatologia e na própria prática da cura. Teria Lacan realmente se afastado deste princípio? A forma encontrada pelo autor para responder a este problema implicou partir do conceito de gozo em Lacan, conceito que sintetiza e representa a dimensão quantitativa. Mas além de contribuir para a explicitação desta noção, como parte de uma teoria psicanalítica do valor, a pesquisa pretende pôr à prova sua eficácia na compreensão de alguns aspectos sumamente clínicos. Assim, retorna-se aos temas freudianos do desencadeamento da neurose, da formação de sintomas e da renúncia pulsional. Recupera-se quadros clínicos praticamente ausentes nas controvérsias lacaniana; neuroses de caráter, neuróses traumáticas, neuroses atuais e neuroses narcísicas procurando, em cada caso, trazer a experiência analítica como crivo de reflexão. A noção proposta de cálculo neurótico do gozo coloca-se assim como uma alternativa à dicotomia fácil entre a chamada clínica do significante (o primeiro Lacan) e a clínica do Real (ültimo Lacan). Alternativa que apresenta-se como 'meramente' freudiana no quadro de uma polêmica marcada pela exigência de complexidade.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Jean-Claude Milner: “Para onde vai o #MeToo?”




Jean-Claude Milner: “Para onde vai o #MeToo?”

Por Valérie Marin La Meslée

O que se torna o ato sexual depois do #MeToo? O filósofo, lingüista e historiador Jean -Claude Milner retoma o caso Weinstein

"Cada um de dois corpos demanda se tornar um, mas isso é impossível, e é preciso recomeçar, recomeçar, recomeçar sempre para chegar ao mesmo resultado no qual o único momento que parece pouco, mas por trinta segundos de prazer, é o relaxamento dos músculos. Mas pelo resto, diz Lucrécio, o prazer sexual, isso não existe. O prazer existe, mas o ato sexual é o prazer impossível.” (Trecho de Lucrécio extraído de De natura rerum narrado por Jean Claude Milner durante o festival Banquete do Livro, de Lagrasse, nas Corbières)

A mulher, eterna vítima
Muitos eram os participantes do festival que esperavam por essa conferência (um grande momento, todos os anos) com uma curiosidade admirada e divertida: o que é que o lingüista, filósofo e historiador de 77 anos poderia dizer sobre o caso Weinstein, nessa quarta feira, 8 de agosto sob a grande tenda erguida em frente à abadia da aldeia? As pessoas que já estavam acostumadas sabiam que as intervenções do autor de ‘O poder dos detalhes’, ‘Reler a revolução’ ou ainda ‘Considerações sobre a França’, são um festival de inteligência e humor, sem esquecer também o livro intitulado “Troubles dans la sexualité” que está no programa do Banquete 2018: “Na confusão dos tempos”.
Ao final, como todas as vezes, não temos certeza se entendemos bem, nem sempre concordamos, mas não nos decepcionamos, pois sua inteligência audaciosa nos alimenta e estimula. Mesmo que as questões levantadas por Milner tenham perturbado mais do que uma ou outra pessoa, para ele, de fato, o ponto de partida é incontestável, mas o que se aproxima do ponto de chegada levanta muitas interrogações e inquietações. Especialmente porque ele descodifica, por trás do movimento #MeToo (#EuTambém) que nasceu nos Estados Unidos, uma visão da mulher como “estruturalmente frágil”, e portanto, uma eterna vítima. E por tomar como exemplo os casos onde a autora da denúncia pode considerar, depois do fato, que se trata de um estupro, já que ela estava sob as garras do mais forte.

Da exceção à regra
Milner, que vem a Lagrasse uma vez por ano (exceto na temporada de verão), explicou por que ele estava tão interessado neste caso, que ele situa, para além das notas policiais [fait divers],como a marca de um deslocamento da representação da diferença sexual nas sociedades “euroatlânticas”. O caso Weinstein, diz ele, não é uma exceção escandalosa como os casos de Polanski e Woody Allen. Pelo número de reações que gera e dos discursos massivos que incentivam o #EuTambém, ele revela a passagem da exceção à regra. O caso e suas conseqüências marcam também o fracasso, ou pelo menos o limite de muita das lutas anteriores (feministas) e intrigam o pensador: onde o movimento #MeToo nos levará? “Na concepção clássica, e também entre um certo número de feministas, haveria uma diferença de natureza entre o ato sexual consentido e o estupro. E então, tem havido no movimento feminista, não mais uma diferença de natureza, mas de grau, todo ato sexual pode se reduzir ao estupro se algumas precauções não forem tomadas. Me parece que o movimento #MeToo vai um passo além: se Weinstein é a regra e não a exceção, isso quer dizer que o estupro é a verdade do ato sexual. Retroativamente, o ato sexual se torna um estupro. Isso é muito preocupante.”
Podemos imaginar o silêncio da platéia diante de tal afirmação. Antes de chegar a esse ponto, Milner se serviu dos textos fundadores da representação do ato sexual, que ele dividiu em dois modelos: o da fusão, onde dois corpos se tornam um só, e o do uso: dois corpos se servem um do outro para procriar, ter prazer, etc. E assim, a partir de Lucrécio (Platão foi engenhoso ao trocar as almas pelos corpos), no que diz respeito à fusão, Milner chega a Kant, para o qual “o ato sexual tem como horizonte o canibalismo, felizmente inatingível”.

De Lucrécio a Kant
Ele lembra como o filósofo alemão defendeu o contrato de casamento para que “cada um de dois corpos se sirvam um do outro, igualmente, anunciando ao outro o seu consentimento, tomado de uma vez por todas de maneira simétrica e simultânea”. O conferencista esclareceu que a lista de detalhes prosaicos dados por Kant no capítulo “Doutrina do Direito” de sua Metafísica da Moral foi julgada como ridícula na época.  “Seu texto é uma obra-prima do humor negro (no contrato, diz-se que a mulher corre perigo de morte pela gestação, e o homem também, que ameaça a demanda sexual de sua parceira!). Seria preciso retomá-la, num momento em que a noção de contrato faz furor, “especialmente nos países nórdicos” onde para que o coito não seja um estupro, é preciso assinar um documento que estabelece o que cada um consente durante o ato sexual.
Cada um? Sim. Mas com igualdade? Ao evocar Marx, o discurso de Milner mostra que, no entanto, qualquer que seja o contrato, a relação utilizador-utilizado nunca é igual: “o uso jamais é simétrico”. Não há consentimento livre, é desigual ou ilusório. No entanto, é essa desigualdade básica que o filósofo vê reaparecer no movimento #MeToo, que, como ele sugere, “desenvolveu uma espécie de doutrina subjacente em relação à força e à fragilidade”. Partindo de um caso particular onde a força tanto física como econômica de Weinstein era objetiva, a reação em cadeia (em paralelo) ao caso generalizou essa relação entre forte e fraco. Se Milner nunca viu essa “doutrina” se expressar assim, ela lhe parece em ação [à l’oeuvre].

Qual revolução para acompanhar #MeToo?
Se a revolução social com base na consciência de classe acompanhou os movimentos trabalhistas, “não há um equivalente à revolução social no domínio sexual”. Como acompanhar, suportar, dar prosseguimento, circunscrever o ponto de partida (incontestável) do #MeToo? Pois para Milner o que se aproxima é arriscado. O que pode o direito frente ao que se ergue então como uma “fragilidade estrutural”? Na melhor das hipóteses, proteger os mais fracos. E ao fazê-lo, ratificá-lo como tal. O que a Declaração dos Direitos Humanos de 1789 (sobre a qual Milner trabalhou tanto) diz sobre o corpo (implicitamente fraco)? Estamos vendo surgir um ato sexual livre do contato com o outro e entregue à tecnologia - que guia-se conforme o modo de utilização de brinquedos sexuais- ou vamos direto à proibição do ato sexual, segundo um termo que abrange também uma realidade histórica tão bem conhecida nos Estados Unidos? Tantas questões excitantes e perturbadoras...
“Reservar a posição estrutural de fraqueza à mulher obriga também a colocar a questão da criança. Isso resulta, aliás, numa desconfiança em relação a tudo que concerne ao corpo, até ao ideal de desencarnar o ato sexual. Penso que o #MeToo deveria sempre retornar a sua origem, e não esquecer que a autonomia do corpo da mulher era a questão de início, não se pode tratar um corpo assim, mas nem tampouco tirar a conclusão de que o corpo não deve mais estar em jogo. O #MeToo, que nasceu nos Estados Unidos não deveria se tornar um elemento da ideologia estadunidense de desconfiança em relação ao corpo, de domesticação de tudo aquilo que é orgânico”.

Uma resposta para os franceses?
Deveríamos responder “à francesa”, como os manifestantes do famoso texto publicado no Le Monde? Essa resistência é aos seus olhos o “elogio à boa cozinha francesa”, em outras palavras, pouco leve para se opor ao que se entrevê. Mas então o que ele propõe? "Eu não tenho a solução, acho que é preciso dar atenção ao caso a caso, por uma resistência de todos os instantes, não fazer que todo ato sexual se assemelhe a uma relação de mestre e escravo, e que o sadomasoquismo não se torne a verdade do casal e o estupro a definição do coito”.
O filósofo, que escreveu um livro a ser publicado pela editora Michel intitulado “Sexualités en travaux” com Slavoj Zizek e o psicanalista Juan Pablo Luccheli, também convidou a platéia a pensar esse signo que é o #MeToo na questão do sexual, para além das suas diversas siderações. No dia seguinte, os participantes do festival ainda estavam discutindo ao redor das mesas o que lhes havia sido oferecido no cardápio desse banquete, apontando as lacunas, admirando as reconciliações ou contestando-as. E é o que acontece por dez dias neste cantinho dos Corbières: despertar as consciências, dar um passo para trás, ler os grandes textos e examinar as novidades, enfim, encontrar os marcos na confusão dos tempos.

Tradução: Arryson Zenith Jr.

Original em francês: https://www.lepoint.fr/culture/jean-claude-milner-ou-va-meetoo-10-08-2018-2242822_3.php


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Esse texto provocativo está aqui em sua função de ser pensado. Deixem nos comentários o que lhes ocorre a partir dele.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

45 Livros de Roland Barthes para baixar


Títulos disponíveis:

Em Português:
  • Aula: aula inaugural de Semiologia Literária do Colégio de França
  • A Câmara clara: nota sobre a fotografia
  • Crítica e verdade
  • Elementos de semiologia
  • Fragmentos de um discurso amoroso
  • Mitologias
  • Notas sobre Andre Gide e seu diário (in: Inéditos, vol 2)
  • O Império dos signos
  • O prazer do texto
  • O rumor da língua (apenas os textos "o rumor da língua", "durante muito tempo fui dormir cedo" e "deliberação")

Em Espanhol:
  • Análisis Estructural Del Relato
  • El grado cero de la escritura 
  • El susurro del lenguaje: más allá de la palabra y de la escritura
  • Ensayos críticos
  • La aventura semiológica
  • La cámara lúcida: nota sobre la fotografía
  • Literatura y sociedad: problemas de metodología en sociología de la literatura
  • Lo Obvio Y Lo Obtuso
  • Lo verosímil
  • Lo neutro
  • Michelet
  • Roland Barthes por Roland Barthes
  • S/Z
Em Inglês:
  • Camera Lucida :Reflections on Photography
  • Image-Music-Text
  • Michelet
  • Mourning Diary
  • Roland Barthes by Roland Barthes
  • S/Z
  • Sade-Fourier-Loyola
  • The Fashion System
  • The Language of Fashion
  • The Rustle of Language
  • Writing Degree Zero
Em francês:
  • Critique et vérité (pdf e epub)
  • Essais critiques (pdf e epub)
  • Fragments d’un discours amoureux
  • Journal de deuil 
  • L'Aventure semiologique (pdf e epub)
  • L'empire des signes
  • L'obvie et l'obtus: essais critiques
  • La chambre claire  Note sur la photographie
  • Le degré zéro de l'écriture
  • Le Neutre
  • S/Z (pdf e epub)
  • Systeme de la mode (pdf e epub)